Brava é irrepetível: um projeto desenhado por Ricardo Bofill em Platja d'Aro, localizado a poucos metros da areia da praia, no coração da Costa Brava. Uma obra única que encerra uma trajetória arquitetónica excepcional.
Tudo no design de Brava remete para a paisagem mediterrânica e para a natureza que rodeia Platja d'Aro. É uma síntese dos grandes projetos de Bofill e do Taller de Arquitectura. A relação com o ambiente não é decorativa, mas sim estrutural. Brava não se impõe à paisagem, mas interpreta-a e integra-a na sua própria geometria.
Render planta baja
Render de interior de vivienda con vistas a la montaña
Render de interior de vivienda con vistas al mar
Render de piso bajo con vistas al mar
O uso da cor na Brava é potenciado por um material que funciona como um espelho do seu ambiente. A sua fachada frontal, branca, mimetiza-se com a areia ao sol vista do mar, enquanto o verde da sua fachada posterior reflete a cor dos pinheiros e acompanha-os no seu caminho até à costa. O edifício torna-se assim uma extensão cromática da luz mediterrânica e da paisagem da Costa Brava.
Bofill foi um dos primeiros arquitetos a estudar a arquitetura vernacular em cada um dos seus projetos. Para isso, investigava as técnicas tradicionais de construção, os materiais autóctones e as condições climáticas, sempre com a intenção de os incorporar num processo de criação multidisciplinar. A partir do seu Estúdio de Arquitetura, as sinergias entre arquitetos, filósofos, poetas, engenheiros, escritores e sociólogos deram origem a projetos que hoje são símbolos mundiais da arquitetura.
Entre eles, La Muralla Roja destaca-se pela sua composição vanguardista, próxima da arquitetura metabólica, e pelo seu inegável impacto visual. Duas qualidades que, 50 anos depois, encontram em Brava um epílogo memorável. As suas formas cúbicas remetem para um pós-modernismo minimalista, desprovido de ornamentos, onde as referências clássicas se expressam através do ritmo e da proporção e resultam numa rotundidade inconfundível.
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Com Brava, despedimo-nos de um dos arquitetos mais brilhantes da arquitetura contemporânea, uma figura de relevância internacional, que transitou pelo organicismo, brutalismo e pós-modernismo a partir de uma visão muito pessoal, profundamente enraizada social e culturalmente.
De alguma forma, não podemos deixar de pensar que Brava é um ponto final. Concretizámos o nosso último projeto com Ricardo Bofill, não haverá outro. Mas, na realidade, é um ponto e vírgula. Agora é que o projeto ganha vida.