A arquitetura inédita é como a destruída, mas mais fascinante ainda. Fique connosco e acompanhe-nos para ver um mundo alternativo a partir de três arranha-céus icónicos que nunca chegaram a ser construídos. 

Nacho Carratalá
2026-01-14

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Nacho Carratalá
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Podemos sentir nostalgia pela arquitetura destruída, indignar-nos com a destruição de uma obra de arte que ninguém justificaria se estivéssemos a falar de uma escultura ou de uma pintura.

Mas a arquitetura não realizada exige uma espécie de nostalgia imaginativa, algo semelhante ao que os românticos alemães chamavam de sehnsucht. Em suma, a idealização de um presente paralelo, melhor, mais perfeito do que o real. Mas, acima de tudo, inatingível. E esse é o principal atrativo destes edifícios, o facto de apenas podermos imaginá-los. 

1- “The Illinois” de Frank Lloyd Wright 

Também conhecido como La Milla, devido aos seus espetaculares 1.609 metros de altura, este arranha-céu, que hoje teria o dobro da altura do Burj Khalifa, foi projetado por Frank Lloyd Wright aos 89 anos. Dele, apenas se conserva uma planta muito longa além da sua origem, sendo esta última incerta, como costuma acontecer; julha-se que teria sido um projeto para uma antena de televisão, ou então que um cliente teria pedido ao arquiteto um edifício de “meia milha” acabando por não gostar muito da ideia. «Que se dane isso». 

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The Illinois

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Frank Lloyd Wright 

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Frank Lloyd Wright junto a su rascacielos de una milla

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O que Wright conseguiu, devendo dizer-se que era muito bom em publicidade, foi uma grande repercussão mediática. Em 1956, convocou a imprensa para anunciar o grande projeto e, posteriormente, organizou uma conferência graças à qual arrecadou 25 mil dólares para o seu estúdio.

Nesse evento, duas coisas ficaram claras: a sua função, ser a sede do governo de Chicago; e alguns números escandalosos: 1.730 metros, contando com a antena, 528 andares, 76 elevadores movidos a energia atómica, um estacionamento para 15.000 carros e outro para 100 helicópteros.

E tudo isso em 1.715.000 metros quadrados de área total, ou nas palavras de Wright: «Em comparação, o Empire State não passará de um rato». 

Mas seria possível fazer algo assim nos anos 50? É difícil garantir isso com 100% de certeza, embora os seus fundamentos técnicos sejam viáveis. O edifício funciona estruturalmente graças a uma aerodinâmica muito estudada basta ver a sua semelhança com os arranha-céus mais altos atuais e a um mastro central de betão armado que se estende até ao subsolo permitindo dispor os andares livremente em altura e extensão, ao mesmo tempo que contém todas as instalações e serviços. 

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Apresentação  de The Illinois 

Embora não vejamos a de Wright, talvez possamos desfrutar da Jeddah Tower, bastante semelhante, embora de “apenas” um quilometro, ou da Sky Mile de Tokio; esta sim de uma milha, mas prevista para 2045. Paciência! 

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2 – “Hotel Attraction” de Gaudí

Tudo o que envolve o arranha-céu que Gaudí projetou para Manhattan é puro mistério, a começar pelos desconhecidos empresários americanos que o encomendaram. A única coisa que sabemos é que eram dois, que estavam de passagem por Barcelona, que era o longínquo ano de 1908 e que queriam um edifício com habitações, museus, galerias de arte e auditórios nas alas exteriores e restaurantes e um grande hotel na altíssima ala central de 360 metros de altura. 

Hotel Attaction

No interior, após entrar num átrio com 17 metros de altura, encontramos cinco salões sobrepostos com o nome de cada continente e reminiscências estéticas de cada um deles. Uma obra colossal, cujo custo e prazo de execução devem ter prejudicado a sua viabilidade, sem falar na disponibilidade de Gaudí para se mudar para Nova Iorque. Com a reconstrução da catedral de Maiorca, as obras da Sagrada Família, a Casa Milà, o Parque Güell e a sua cripta, o genial arquiteto catalão tinha trabalho de sobra sem ter de sair de Espanha.

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3 - "Edifício Sellés-Miró" de Howells e Rogers. 

Em 1918, os arranha-céus ainda não tinham chegado à Europa, mas um com 130 metros de altura esteve prestes a aterrar em plena Praça da Catalunha. A ideia deve-se a um enigmático empresário Ramón Sellés-Miró, que, com a aprovação de Alfonso XIII e o apoio de um grupo de investidores catalães, planeou adquirir vários terrenos na emblemática praça de Barcelona para construir o edifício mais alto do continente. Um colosso ao estilo americano que deveria abrigar um hotel, escritórios e uma estação ferroviária e de metro.

Para tornar tudo isto possível, este grupo de promotores contou com os arquitetos certos, os norte-americanos John Mead Howells e James Gamble Rogers. Em conjunto projetaram um arranha-céu no estilo neogótico da época. Um pedaço de Chicago no coração de Barcelona.

Além disto, para termos uma ideia da magnitude do projeto e do prestígio dos seus autores, basta dizer que a icónica sede do Chicago Tribune, com os seus 141 metros de altura, também é obra de Howells tendo começado a ser construída em 1923. Com apenas dez metros a menos e uma imponência impressionante, o Edifício Sellés-Miró teria sido um verdadeiro marco na arquitetura europeia. 

maqueta del edificio Selles-Miró
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FOTOGRAFIAS: Clarín, Behance, Arquine, Skyscrapercity, Pinterest, Globedia, Cargocollective, Fundación Pere Tarrés. 

 

 

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